26 de jun. de 2016

Um Calvinista diante da Grande Comissão – O Ide...




O importante teólogo americano Dr. R. C. Sproul, quando esse ainda era estudande de tologia na classe John Gerstner, na disciplina História da Igreja se deparou com uma questão importante concernente ao evangelismo. Em determinada aula, o professor discorreu sobre a predestinação e, como era de seu costume começou a fazer perguntas aos alunos. Sproul estava sentado no final de um grande semicírculo. Gerstner começou pela outra ponta. Ele disse: “Respondam-me agora: Se a predestinação é verdadeira, por que deveríamos fazer evangelismo?”. O primeiro aluno simplesmente respondeu: “Não sei”. O professor se dirigiu ao próximo na roda, que disse: “Derrubou-me!”. O próximo seminarista respondeu: “Estou contente que o senhor tenha levantado essa questão, porque sempre tentei encontrar essa resposta”. O professor foi percorrendo todo o semicírculo, indagando aos seus alunos um por um. Sproul estava encolhido em seu canto se sentindo como um personagem dos diálogos de Platão. Cheio de temor, ele também aguardava a sublime resposta para o impenetrável mistério daquela pergunta. Por fim, Gerstner chegou até ele e perguntou: “Bem, Sr. Sproul, imagino que o senhor tenha a nossa resposta. Se a predestinação é verdadeira, por que deveríamos fazer evangelismo?”. Ele lembra que deslizou em sua cadeira e começou a desculpar-se: “Bem, professor Gerstner, sei que isso não é o que o senhor está querendo, e sei que deve estar procurando alguma resposta intelectual e profunda que não estou preparado para dar. Contudo, ocorre-me um pequeno ponto que acho que deveríamos observar aqui: Deus nos manda evangelizar”. O professor abriu um largo sorriso e disse: “Exato, Sr. Sproul. Deus nos manda evangelizar”. E prosseguiu irônico: “E o que poderia ser mais insignificante do que o fato de o Senhor da glória, o Salvador de sua alma, o Senhor Deus onipotente, tê-lo mandado evangelizar?” (Discernindo a Vontade de Deus, Sproul, R. C, 1977, p. 127-128 e Fundamentos da Fé Cristã, Boice, James Montgomery, 2011,p. 563-564).

Um tema que recorrentemente vem nas minhas conversas (afirmo de antemão que não sou eu que introduzo esse assunto nas conversas) é o tema da responsabilidade humana frente a ordem de Jesus – o que chamamos de a Grande Comissão. Muitas vezes os Calvinistas são tachados de incoerentes, pois pregamos a eleição e predestinação divina quanto a Salvação, e os opositores a essa visão nos questionam quanto ao trabalho evangelístico, dizendo: Se Deus já determinou quem vai ou não ser salvo, por que evangelizar? Sempre que me deparo com essas afirmações faço minhas as palavras de R. C. Sproul: “Deus nos manda evangelizar”. Reconheço que não sei como Deus determina os que serão ou não salvos – isso cabe a Ele somente – porém eu tenho que obedecer a sua ordem e ir ao mundo proclamar o Evangelho da Salvação.

Essa “Grande Comissão” é relatada 5 vezes no Novo Testamento, uma vez em cada um dos evangelhos e uma no capítulo inicial de Atos dos Apóstolos:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” - Mateus 28:18-20

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”. - Marcos 16:15,16

“Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.” - Lucas 24:45-47

“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” - João 20:21
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” - Atos 1:8

Em cada uma das vezes que a “Grande Comissão” foi apresentada aos leitores, foi mostrado um aspecto ou ângulo diferente, assim faz-se necessário analisar cada uma das apresentações para conseguirmos entender com maior profundidade esse chamado Divino.

Hoje estaremos dando início a uma série de cinco mensagens falando sobre esse tema, iniciando por Mateus 28:18-20.

Primeiramente comecemos pelo o relato de Mateus, relatado no capítulo 28:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” - Mateus 28:18-20

Esse relato é o mais conhecido dos cinco, e nos apresenta uma realidade que Mateus estava querendo apresentar aos seus leitores – a autoridade Divina de Jesus. Para entender esse ponto devemos recorrer a um relato descrito no evangelho de João capítulos 18 e 19. Os judeus já haviam prendido Jesus, já tinham feito o seu julgamento na calada da noite, as escondidas, porém eles queriam mais, queriam matar Jesus, para isso eles o levaram diante do governador da província da Judéia Pôncio Pilatos. Pilatos intrigado com o pedido pergunta a Jesus:

Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? – João 18:33

Ao fazer essa pergunta Pilatos esta ciente da profundidade e magnitude dos fatos, ele como governados da província era conhecedor das profecias sobre o surgimento do Messias – o libertador de Israel – que iria libertar os Judeus das mãos dos opressores e levar a nação a liberdade e prosperidade. Estava ciente da mensagem pregada por João Batista – arrependei-vos, pois é chegado o reino dos Céus – e provavelmente conhecia o trabalho que Jesus desempenhava nas províncias, e ainda havia o relato de sua esposa - E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito. Mateus 27:19. Ou seja, Pilatos quando indagou Jesus ele queria saber: É você o Messias de Israel? É você o Libertador desse Povo? Tem você mais autoridade que eu o governador? Porém Jesus o respondeu:

Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum. João 18:36-38

Jesus respondeu a pergunta de Pilatos, porém Pilatos não compreendeu completamente a resposta. Ao dizer “O meu Reino não é deste mundo” ele estava dizendo:

Eu não sou somente Rei dos Judeus, pelo o contrário EU SOU O REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.

Ao dizer que o seu Reino não fazia parte desse mundo, ele estava indicando claramente a magnitude e vastidão de seu poder – homens desse mundo lutam por terras, por divisas e marcações, mas aquele que reina sobre o outro mundo (o espiritual) é muito mais poderoso do que qualquer rei terreno. Ele estava na terra para apresentar a verdade aos homens, apresentar a salvação aos homens, porém os homens livremente optaram por sujeitar-se as suas vaidades e repudiaram a verdade. A sua autoridade excedia infinitamente a de homens como Alexandre, o Grande, Júlio César, Augusto César e Pôncio Pilatos. Esse homem literalmente viu a “Verdade”, e diante dela percebeu a “inverdade” dos Escribas e Fariseus, e isso o motivou a buscar a libertação do nosso Senhor. Entretanto existia uma questão que Pilatos não tinha levado em conta – se ele não é rei dos Judeus, de onde é o seu Reino? Diante disso o Apóstolo João nos diz:

Ao verem-no, os principais sacerdotes e os seus guardas gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum. Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus. Pilatos, ouvindo tal declaração, ainda mais atemorizado ficou, e, tornando a entrar no pretório, perguntou a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem. – João 19:6-11

Os Fariseus e Escribas estavam tomados por um desejo de sangue, eles queriam a qualquer custo matar Jesus, e ao verem Pilatos, começaram a gritar pela a crucificação dELE, porém eles não poderiam matar a Jesus sem a aprovação do governador, e eles disseram: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus. Essa declaração caiu como uma pedra sobre Pilatos, era como se as coisas começassem a se encaixar em sua mente: O meu Reino não é deste mundo... ele fez a si mesmo filho de Deus... agia como uma ovelha muda... Isso fez com que ele questionasse a Jesus sobre a sua procedência, porém Jesus não o respondeu e isso o deixou irado ao pondo de ele dizer: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Pilatos acabou agindo pela a impulsão, emoção e temor e deixou aflorar a arrogância do seu íntimo. Pilatos colocou-se diante de Jesus com superioridade, ele literalmente estava dizendo: somente eu tenho poder para te salvar. Sem mim você está perdido. Diante dessa afirmação veemente de Pilatos, o nosso Senhor mostra quem realmente tem autoridade: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada”, uma singela resposta, porém profunda em poder. O nosso Senhor deixa claro a Pilatos que ele não tem nenhum poder sobre a seu julgamento, vida ou morte, e que a sua tão estimada “autoridade” só foi possível por que Deus assim o quis. Ou seja, do princípio ao fim, tudo estava nas mãos de Deus.

Tendo esse relato em mente observamos em Mateus o real significado das palavras do Senhor Jesus aos seus Apóstolos e Discípulos: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Aqueles homens viram Jesus ser preso, julgado, açoitado, espancado, crucificado e morto porém após 3 dias ele ressuscitou em Glória, e agora esse mesmo homem que havia passado por todas as “tormentas” está dizendo: “Vocês viram tudo o que eu passei, o quanto eu sofri, porém os que me causaram dano não tinham poder sobre mim, não tinham autoridade sobre a minha vida, pelo o contrário, todos eles estavam e estão sujeitos ao meu pai e mim, pois agora TODA A AUTORIDADE NOS CÉUS, NA TERRA E DEBAIXO DA TERRA é minha, por isso digo: Confie em mim, pois sempre estarei ao lado de vocês.” Quando olhamos para a cena do dia 14 de Nisã tudo parece terminado, sem esperança, porém ao terceiro dia juntamente com o raiar do sol, uma nova esperança surge – O REIS DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES está de pé e marchando juntamente com o seu povo eleito rumo ao novo céu e a nova terra. É isso que Mateus declara, não devemos temer os homens que julgaram/açoitaram/mataram a Jesus, não devemos temer os povos bárbaros, não devemos ficar tímidos e acanhados com a mensagem do evangelho, pois tudo está sobre o controle de Jesus, todos nós estamos debaixo de sua autoridade, e mesmo que nessa empreitada viermos a perecer, temos a certeza que da mesma maneira que Jesus ressuscitou nós seremos ressuscitado. Assim devemos obedecer a ordem de nosso Senhor, Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações... pois sabemos que aquele que ordena é fiel e verdadeiro, e sempre que abrirmos as nossas bocas com a verdade do evangelho, estamos agindo como embaixadores de Cristo, porta-vozes do Senhor,  e aqueles que foram ELEITOS ao ouvirem as boas novas serão tocados, e levados ao arrependimento, como nos diz o Apóstolo Paulo em Romanos 8:29,30: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” Como Paulo deixou claro aprouve Deus trazer os seus escolhidos através da pregação da palavra – através da evangelização! Assim não devemos temer aos homens, antes devemos manter a coragem, e pregar aos 4 ventos tendo em mente a certeza que Deus trará para sí os seus, e fitos na promessa: E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século!!!
Por Leandro Rocha
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Próxima postagem – Marcos 16:15,16

30 de dez. de 2015

Planos de Leitura Bíblica para 2016




 
PLANO DE LEITURA BÍBLICA

O maior prazer que um cristão tem é se deleitar nas páginas das Escrituras Sagradas. Cada páginas da Bíblia está repleta de beleza e conhecimento acerca de Deus, que nenhum outro livro na face da Terra possui; porém não é difícil ver muitos irmãos e irmãs que há muito congregam em uma igreja local que nunca leram por completo a Bíblia. Muitos desses irmãos, são apenas ouvintes, e não leitores, e isso acaba trazendo um grande problema para a congregação – a criação de crianças ou bebês espirituais que apenas são alimentadas por outros, e só se alimentam do que os outros querem lhe oferecer – e muitos desses acabam sendo desviados por todo e qualquer vento de doutrina falsa. Foi pensando em proporcionar um crescimento espiritual (e também um fortalecimento espiritual) que desenvolvemos vários cronogramas de Leitura Bíblica que visa o auxílio e planejamento dos estudos pessoais ou congregacionais. Tenho certeza de que há planos melhores, porém os planos aqui propostos visam proporcionar uma leitura que seja mais confortável e aprazível. Além da leitura pedimos que os novos convertidos atentem para as seguintes recomendações abaixo:

1. Peça a Deus para ajudá-lo a entender o que você estiver lendo. Ore algo como: “abre meus olhos e meu coração para entender tua Palavra”. Deus se deleita em se revelar aos seus filhos à medida que eles se achegam a ele em fé.

2. A coisa mais importante não é que você faça estas leituras todos os dias, mas sim que você processe o que leu. Caminhe em seu próprio ritmo, esta é apenas uma direção para você seguir.

3. Escreva perguntas que você tenha à medida que ler e nós conversaremos sobre elas. Sintam-se livres para usar este recurso para auxiliar a qualquer outra pessoa que possa tirar proveito delas.

Leia corretamente a Bíblia

Se você está preocupado com qual tradução usar, confira a resposta de Augustus Nicodemus (http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/05/augustus-nicodemus-qual-traducao-da-biblia-devo-usar/). Minhas sugestão pessoal é: comece com a ARA (Almeida Revista e Atualizada) e a cada ano leia em uma tradução diferente (lembrando que tem Bíblias que são paráfrases e não traduções).

Preparação para a leitura

Duas rápidas dicas: (1) planeje seu horário de devocional e, através da repetição, transforme isso em um bom hábito. Lembre-se: o diabo vence nossa devocional antes mesmo de acontecerem por não planejarmos; (2) Ore o IDDS antes de ler (não se esqueça que compreender corretamente as Escrituras é uma obra sobrenatural do Espírito Santo, então você precisa tanto se esforçar para entender corretamente o texto como orar):

Inclina-me o coração aos teus testemunhos (Salmos 119:36)

Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. (Salmos 119:18)

Dispõe-me o coração para só temer o teu nome. (Salmos 86:11)

Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. (Salmos 90:14)

Esperamos que você tenha uma boa leitura!

Graça e Paz.

* Download dos Planos de Leitura Bíblica
 
https://drive.google.com/file/d/0B8RIegayWdVlSld3dGpUbUlwOTg/view?usp=sharing


20 de nov. de 2015

Vivamos segundo a Verdade de Deus e não segundo a verdade do Mundo.





Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado. – Salmos 15:1-5

Vivemos em uma sociedade que vive entre dois extremos: a busca por Deus (em alguns casos até de maneira equivocada) ou a total rejeição da pessoa Divina. Nos últimos 150 anos o mundo cristão vem sofrendo um ataque massivo de muitos ateístas que fazem da teoria da Evolução das Espécies o seu baluarte tendo como o seu “Papa” ou “Mentor” Charles Darwin. Charles Darwin foi um naturalista britânico que alcançou fama ao “convencer” a comunidade científica da ocorrência da evolução das espécies e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual e propôs em seu Livro “The Origin of species” – Origens das espécies uma teoria que o homem "evoluiu" de seres microscópios passando por répties, anfíbios, mamíferos simiescos até chegar ao homem-sapiens através da seleção genética natural (Darwin utilizou-se da recente pesquisa de Gregor Mendel sobre a Hereditariedade para “respaldar” a sua teoria). Essa teoria caiu como uma bomba na sociedade vitoriana do século XIX e infelizmente muitos líderes religiosos (liberais) aceitaram essa visão como verdade, e começaram a pregar que a Bíblia não é infalível e muito menos inerrante, porém um remanescente de homens de fé se puseram firmes diante dos opositores da Verdade - um dos fiéis que lutaram ferozmente contra esse pensamento na Inglaterra e no mundo foi Charles Haddon Spurgeon. Nos anos subsequentes a exposição dessa teoria, a influência dos naturalistas e evolucionistas começaram a crescer drasticamente na Europa e América, porém lamentavelmente o Cristianismo foi perdendo espaço nos púlpitos e da sociedade, chegando em alguns locais a “sumir” quase que por completo.
O mundo procurou e ainda procura apagar Deus da vida e história humana, procura tornar O Senhor Deus mais um entre um vasto panteão pagão. O pior de tudo, é que muitos dos quais deveriam defender a verdade, defender Cristo acabam por contribuir para a secularização da fé.
É sobre isso que Davi fala nesse texto. Ele pergunta:

Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?

Muitos equivocadamente, se apropriam do título “Povo de Deus”, não pensando nas consequências que uma falsa confissão de fé traz consigo. Muitos o fazem com o objetivo de trazer as luzes dos holofotes sobre sí, quase sempre usando de meios espúrios e manipuladores, cujo o fim é a "sua" glorificação e não a de Deus. Davi não afirmou ter morada com Deus, ou afirmou que ele viveria no santo monte com Jeová, antes ele perguntou retoricamente a Deus: Quem?

As escrituras deixam claro que é Deus que escolhe os Seus, é Deus que capacita os Seus, é Deus que forma um povo para sí - como nos diz o Apóstolo Paulo em Romanos 9:6,7a:

E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos;

Concluímos então que nem todos que professam ser Cristãos, ou serem servos de Deus, de fato o são. Como Davi deixou claro aquele a quem Deus escolher, viverá no seu tabernáculo - É interessante notar a menção de Davi ao tabernáculo. O tabernáculo era uma estrutura construída especificamente para a adoração a Deus, e entrada nesse local era restrita apenas aos Levitas (tribo escolhida para o serviço sacerdotal), enquanto o povo em geral podia apenas achegar-se nos átrios (arredores) do tabernáculo; os Levitas, Sacerdotes e Sumo-Sacerdote não podiam servir no tabernáculo de qualquer maneira, eles deveriam estar limpos (física e moralmente) para servir diante de Deus - ou seja, as palavras de Davi no versículo 1 nos faz entender que aqueles que fazem parte da nação de Deus, que têm acesso a Deus, sãos os que vivem uma vida santa, pura e que buscam uma verdadeira intimidade com Ele.

Por isso respondendo à pergunta inicial, Davi começa retoricamente a mostrar quais são os atributos aceitáveis na adoração a Deus.

# 1° - O que vive com integridade - No hebraico integridade, significa inteiro, pleno, ileso, que não foi maculado. Aqueles que tem acesso ao tabernáculo de Deus, ou aqueles que fazem parte do Povo de Deus, não podem deixar-se contaminar/macular com as impurezas morais e religiosas que esse sistema iníquo nos apresenta. Todo o nosso ser (a plenitude de nosso ser) deve estar dedicado ao nosso Deus. Lamentavelmente muitos que hoje professam servir a Deus, não são íntegros para com Ele, antes são adeptos a atitudes pragmáticas, egocêntricas e muitas vezes contrárias a vontade de Deus. Permitem que atitudes mundanas penetrem nas igrejas, e em vez de tornar-se luzeiros para a sociedade, acabam esvaecendo-se até por fim se apagar. Aqueles a quem Deus elege, permanecem firmes diante dos ataques maçantes desse mundo iníquo.

# 2° - e Pratica a Justiça - Justiça significa estar em conformidade com o que é direito. Os servos de Deus não podem agir em desacordo com os mandamentos de nosso Senhor. Temos que viver em conformidade com o que é direito, e isso muitas vezes significa ser submissos a autoridades ditatoriais, infames, não tementes a Deus, aguentar desaforos, ser ultrajados e em alguns casos até padecer pelo o cumprimento das leis de Deus.

# 3° - e de coração, fala a verdade - A Bíblia atribui a paternidade da mentira ao Diabo (João 8:44). Foi através de uma mentira articulada pelo o Diabo, que os nossos primeiros pais Adão e Eva nos encarceraram no pecado e a morte, porém as escrituras deixam claro que em Deus não há mentira somente a verdade (Tito 1:2) e Bíblia nos informa onde podemos encontrar a Verdade e o que a Verdade nos traz:

"A verdade é a essência da tua palavra, e todas as tuas justas ordenanças são eternas." Salmos 119:160

"E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". João 8:32

Os textos deixam claro que a essência da Bíblia é a Verdade, ou seja, só podemos encontrar a Verdade acerca dos desejos e propósitos de nosso Deus nas Santas Escrituras, e o conhecimento dessas Verdades nos levam a uma liberdade espiritual, liberdade essa que os nossos primeiros pais perderam. A Verdade nos retorna a uma relação íntima com o Pai, através da Verdade somos transformados, somos purificados, somos feitos filhos de Deus.

Porém o abandono da Verdade nos leva a um declínio espiritual, com consequências trágicas para a humanidade. Gostaria que os irmãos lesses Oséias 4:1-6:

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem. Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

O afastamento da humanidade da verdade, do amor e do conhecimento de Deus, faz com que Deus entre em uma contenda com os incrédulos, e sabemos que ninguém pode opor-se a Deus ou fugir de sua ira – o Salmista deixou bem claro que ninguém pode se esconder de Deus, muito menos fugir de sua ira caso ela recaia sobre alguém no Salmo 139. Como consequência desse afastamento a sociedade entrou em um total estado de depravação. Os homens vivem a dar falsos testemunhos (perjúrios), vivem a uma trama de mentiras que em muitos casos levam a homicídios, furtos e adultérios. Os homens buscam o seus próprios interesses. Esse afastamento não tem apenas consequências nos seres humanos, mas como o texto deixa bem claro toda a criação é atingida pelo o afastamento da Verdade, de modo que a ganância, ambição, mentira acabam por destruir a Terra. E muitas vezes os responsáveis pela a falta de amor, pela a falta de conhecimento e principalmente a falta de busca pela verdade são daqueles que deveriam instruir o povo nos caminhos do Senhor. Lamentavelmente a grande maioria das igrejas atuais estão mais interessadas nos dízimos e ofertas que os membros a oferecem, do que instruí-las nas verdades bíblicas. Os cultos se tornaram meios de barganhas com Deus, e não momentos de louvor e adoração. Segue-se uma cartilha que diz: Quanto mais ignorantes melhor. E quando alguém se levanta mostrando as verdades das escrituras, os líderes os tacham de herege, apóstata e infiel. Por isso Deus irá trazer maior julgamento contra esses falsos profetas, que tem levado o povo a morte, e ao afastamento da Verdade.

A verdade é como uma fogueira acesa em um dia frio. Junto da fogueira encontramos, calor, proteção, aconchego. Longe dela, frio, solidão e perigo. Quanto mais próximo da verdade mais perto das práticas aceitáveis aos olhos de Deus nos encontraremos. É como conclui o salmista:

o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.
– Salmo 15:3-5

Observamos um grande contraste entre Oséias 4:1-6 com o Salmo 15. Em Oséias vemos que o a falta da Verdade faz com que a sociedade se degenere, porém quando a verdade está presente na vida da sociedade ela prospera como descrito nos versos 3 a 5 do Salmo 15. A única maneira para a prosperidade de uma pessoa ou nação é a constante busca pela a Verdade. Faz-se necessário que lembremos das palavras registradas em João 14:6

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.

Diante de uma sociedade fria, apática, e muitas vezes apóstata, nós nunca devemos nos esquecer que nós temos uma esperança, uma certeza, e que o único meio de alcançá-lo é viver a Verdade, é defender a Verdade é buscar a Verdade - pois não há outro caminho para o pai senão Cristo Jesus. Sabemos que o mundo (que por sinal jaz no poder do maligno) fará de tudo para deturpar ou até destruir a Verdade revelada em Cristo Jesus, e será necessário que tomemos um posição frente a essa oposição, mesmo que isso resulte em afastamento de amigos, familiares e até zombaria por causa da nossa fé mas tenhamos em mente as palavras de nosso Senhor:

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. – Mateus 5:11,12

Amém.
Por Leandro Rocha

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Discurso Congregacional - Ministrado no dia 18/11/15